Dois anos depois da estreia, os Gojira regressam em 2003 com The Link, um disco que afina consideravelmente a fórmula esboçada em Terra Incognita. A banda das Landes explora nele a ideia do elo, da conexão entre os seres, a matéria e a energia, um tema que se tornará central no seu universo. Mais fluido, mais groovy e melhor produzido do que o seu antecessor, este segundo álbum marca uma etapa decisiva na maturação de uma identidade já singular, no caminho que levará em breve ao reconhecimento.
O fio condutor
O conceito do elo estrutura o conjunto do disco. Os Gojira já não se contentam em desferir, procuram tecer, ligar os temas entre si numa lógica quase orgânica. Esta procura de coerência dá a The Link uma unidade superior à do primeiro álbum, como se a banda tivesse compreendido que a sua força residia tanto na atmosfera global como no impacto de cada riff. O discurso ganha em profundidade e em clareza, esboçando já a dimensão conceptual dos grandes discos por vir.
O groove toma o poder
Musicalmente, o disco põe o acento no groove e na respiração. Os tempos são mais flexíveis, os riffs mais rolantes, e a secção rítmica ganha em fluidez. Mario Duplantier confirma o seu estatuto de baterista fora de série, capaz de dar uma pulsação quase hipnótica aos temas mais pesados. Os Gojira aprendem aqui a deixar espaço, a fazer respirar a sua música, uma lição que dará frutos nos álbuns seguintes. Este domínio do fôlego tornar-se-á uma das marcas da banda.
Rumo à maturidade
The Link é o disco da transição, aquele em que os Gojira passam do estatuto de banda promissora ao de formação que domina plenamente a sua arte. A produção, mais cuidada, valoriza enfim as subtilezas da escrita. As preocupações espirituais e ambientais afirmam-se, e a voz de Joe Duplantier ganha em presença. Sente-se uma banda que se aproxima do seu pleno potencial, a um fôlego da explosão que iria em breve propulsá-la para a cena internacional.
The Link é muitas vezes eclipsado pelos álbuns que se seguiram, mas constitui um elo essencial da discografia, um marco que explica o que vem depois. Mais conseguido do que Terra Incognita sem ainda atingir o cume, oferece um death metal progressivo rico e pessoal. Para quem quer compreender como os Gojira construíram a sua linguagem, é uma etapa incontornável, ali onde as peças do puzzle começam enfim a encaixar-se com evidência.