O primeiro album do Death Angel, The Ultra-Violence (1987), e uma das estreias mais espantosas do thrash da baia de San Francisco, tanto mais impressionante porque seus integrantes eram muito jovens na epoca da gravacao, alguns ainda adolescentes. Este disco, transbordante de energia, anunciou uma banda de surpreendente maturidade musical. Longe de ser um simples ensaio, o disco exibe uma ambicao e uma precisao que envergonhariam bandas com o dobro de experiencia, o que explica o fascinio que ainda exerce sobre os fas de thrash.
Uma juventude ja virtuosa
O que impressiona de imediato e o dominio tecnico. O guitarrista Rob Cavestany desdobra riffs complexos e solos ageis, enquanto o baterista Andy Galeon, ainda muito jovem, sustenta tempos temiveis com aplomo de veterano. A banda, formada por amigos proximos e primos de origem filipina, toca com uma coesao nascida de anos ensaiando juntos.
O canto de Mark Osegueda, agressivo mas melodico, completa o quadro. Percebe-se uma formacao que nao se contenta em avancar, mas ja busca construir, variar os ritmos e os climas dentro de uma mesma faixa. Essa maturidade precoce deve muito a cumplicidade familiar que unia os musicos: acostumados a tocar juntos desde a infancia, comunicavam-se no palco e no estudio com uma intuicao que poucas bandas alcancam, mesmo depois de anos.
Da velocidade a ambicao
As faixas curtas e rapidas, como Voracious Souls ou Kill as One (ja presente na demo produzida por Kirk Hammett), mostram um thrash nervoso e preciso. Mas o album ousa tambem a extensao: a faixa-titulo se alonga numa peca em boa parte instrumental de varios minutos, uma verdadeira demonstracao de composicao que se destaca no genero.
Essa ambicao, rara numa estreia, revela uma banda que ja pensava a musica alem da simples carga de energia, ainda que o impeto da juventude permaneca perceptivel por toda parte.
Uma estreia de culto
The Ultra-Violence firmou a reputacao do Death Angel como uma das bandas mais promissoras de sua geracao. Apesar dos reveses que pontuaram sua historia, este primeiro disco continua uma referencia, citado com frequencia entre as melhores estreias thrash do fim dos anos 1980.
Nossa nota de 8 sauda um album notavel por seu frescor e sua audacia tecnica, obra de uma banda muito jovem que ja tocava como musicos calejados. Um disco que manteve intacta essa energia bruta, a de adolescentes decididos a se medir com seus mestres do genero. A carreira do grupo seria bruscamente interrompida por um grave acidente de turne no fim da decada, antes de um reencontro muito mais tarde. Mas The Ultra-Violence permanece o testemunho deslumbrante de um talento precoce e sem equivalente no thrash de seu tempo.








