Primeiro album dos Ceremony, lancado em 2006 pela Deathwish, Violence Violence e um concentrado de furia vindo de Rohnert Park, California. A banda liderada por Ross Farrar descarrega um hardcore ultrarrapido, tingido de powerviolence, onde as faixas estouram em segundos e deixam o ouvinte atordoado. Um disco brutal e sem concessoes. O disco dura muito pouco, mas cada minuto esta carregado ao maximo.
A velocidade como arma
O que impressiona de imediato e a brevidade das faixas e a sua violencia. Muitos titulos mal ultrapassam o minuto, alguns sao ainda mais curtos, mas cada um golpeia como um soco. Os Ceremony nao se incomodam com transicoes nem adornos: tudo aponta para o impacto imediato e a descarga nervosa.
Uma raiva frontal
As letras de Ross Farrar cospem um nojo pelo quotidiano, pela alienacao e pelo vazio. A sua voz gritada, quase a beira da ruptura, da ao disco uma urgencia quase fisica. Ha nesta raiva algo muito pessoal, longe dos slogans, que torna o conjunto mais mordaz do que a media do genero.
A heranca do powerviolence
Violence Violence inscreve se numa linhagem que remonta aos pioneiros do powerviolence, embora conserve uma identidade propria. O disco nao procura agradar, assume a sua brutalidade e a aspereza da sua producao. E um objeto abrasivo, que pede ao ouvinte que aceite as suas regras antes de apreciar a sua forca.
Os Ceremony evoluiriam consideravelmente depois, ate territorios post-punk, mas Violence Violence continua a ser o testemunho de uma juventude em ebulicao. Esta estreia furiosa assenta as bases de uma das trajetorias mais interessantes do hardcore dos anos 2000. Para quem ama a velocidade e a raiva sem filtro, e uma descarga curta mas memoravel, para receber como um gancho. E um ponto de partida bruto para quem quiser seguir a espantosa mutacao da banda ao longo dos anos.








