Tinha que acontecer. Nove anos depois de Strength, Integrity, Brotherhood, o 25 ta Life volta à carga com Hunting Season, um EP de três faixas lançado em março de 2018, primeiro como download gratuito. Para os mais novos, vale lembrar: 25 ta Life é Astoria, no Queens, o começo dos anos 90 e um nome sugerido por Freddy Cricien, do Madball. Ou seja, uma instituição do hardcore nova-iorquino, que ajudou a lançar as bases do beatdown. Separada no fim de 2000, refeita em 2002 com novos integrantes e relançada em 2017, a banda já viveu várias vidas, e este disco é o primeiro sinal concreto da mais recente. Vamos logo ao ponto: este retorno não revoluciona nada, e ninguém está pedindo isso.
Uma voz nova no microfone
A grande novidade está no vocal. Hunting Season é a primeira gravação com James “Stikman” Ismean, que passou pelo Fury of Five e pelo Lucked Up In Life. Ao redor dele, Fred Mesk e Beto nas guitarras, Mike 141 no baixo e Seth Meyer na bateria. Trocar de vocalista numa banda tão marcante é sempre uma aposta, ainda mais quando se sucede a Rick Healey, a voz histórica. Esta funciona: Stikman não tenta imitar ninguém, ele late com a convicção de quem conhece a rua de que fala, e o conjunto soa como uma turma unida, não como uma reunião de ocasião. Nesse estilo, a sinceridade conta mais do que a técnica, e é justamente aí que o novo vocalista marca pontos.
Três faixas, zero rodeios
“Hunting Season”, “All Heart”, “From Start To Finish”: os títulos já dizem tudo, e o programa nunca foge das regras da casa. Hardcore nova-iorquino puro, feito para a roda, em que, a julgar pelos títulos, coração e perseverança são o fio condutor. Nenhuma tentativa de abrir o leque, nenhuma piscadela para a moda do momento. É ao mesmo tempo a força e o limite do disco: tudo está no lugar, mas nada vai surpreender quem acompanha a banda desde Friendship, Loyalty, Commitment. Nesse gênero, ser fiel a uma linha costuma valer mais do que uma modernização forçada, e o 25 ta Life nunca trapaceou nisso.
Um retorno que deixa vontade de mais
A verdadeira crítica é o formato. Três músicas são pouco para julgar uma formação nova, e o conjunto parece mais um cartão de visita do que uma declaração de intenções completa. Um disco mais longo, que desse aos novos integrantes tempo para deixar sua marca, teria sido bem-vindo. Numa época em que tantas reuniões cheiram a turnê de aniversário, esta ao menos tem o mérito de trazer material novo. Feita essa ressalva, o essencial está lá: a energia, o espírito de crew e essa maneira de lembrar que o hardcore nova-iorquino nunca precisou de permissão para existir. O EP reapareceu mais tarde nas plataformas numa “Bonus Edition”, o que prolonga um pouco a audição.
Hunting Season não é uma obra-prima, nem tem essa pretensão. É um retorno honesto e sólido, pensado para o palco mais do que para as playlists, que prova que o 25 ta Life ainda tem muito a cuspir. Para os fiéis, é obrigatório. Para os outros, é uma porta de entrada curta, mas eficaz, para um dos nomes que importam no hardcore da Big Apple. E para uma banda que sobreviveu a uma separação, a várias mudanças de formação e a três décadas de cena, voltar com tanta fome não é pouca coisa.








