Em 1995 o Death lanca Symbolic, muitas vezes considerado o auge da carreira de Chuck Schuldiner. Pioneiro do death metal, o guitarrista e cantor alcanca aqui um equilibrio perfeito entre agressividade, melodia e sofisticacao, sem jamais sacrificar a intensidade. E a culminacao de uma longa evolucao, a de um artista que nunca deixou de empurrar as fronteiras do proprio estilo.
A maturidade de um genero
Longe dos primeiros discos brutos e frontais, Symbolic encarna um death metal ja adulto. As estruturas sao complexas mas legiveis, os riffs melodicos sem serem adocicados, e os solos servem ao discurso mais que a mera tecnica. A musica ganha em clareza sem perder nada de sua forca.
Schuldiner prova que o extremo tambem pode ser reflexivo e matizado. A faixa titulo resume essa ambicao: potencia, virtuosismo e senso de melodia convivem numa mesma composicao, com uma fluidez notavel que torna o conjunto surpreendentemente acessivel apesar da riqueza e da densidade.
Letras voltadas para dentro
As letras deixam o terreno do horror para explorar a consciencia, a memoria, a liberdade de pensamento. Em Crystal Mountain e Empty Words, Schuldiner entrega uma reflexao quase filosofica, sustentada por uma voz rouca mas perfeitamente inteligivel, algo que segue sendo raro no genero.
Essa dimensao introspectiva distingue o Death de quase todos os seus contemporaneos, mais propensos a provocacao gratuita. Aqui cada letra prolonga a musica e lhe da sentido, transformando o disco num verdadeiro discurso sobre a condicao humana em vez de mera demonstracao de forca sem futuro.
Uma banda no auge
Para este disco, Schuldiner se cerca sobretudo de Gene Hoglan na bateria, cujo toque preciso e inventivo estrutura o conjunto. Suas viradas e retomadas dao as musicas uma respiracao constantemente renovada, sem cair jamais no exibicionismo gratuito.
O som, limpo e potente, realca cada detalhe das composicoes. Nada e deixado ao acaso, cada nota parece pesada, cada transicao pensada. Esse rigor, sem jamais ficar frio, revela uma banda no auge de seu dominio coletivo e um lider no cume de sua inspiracao.
Symbolic e um album de charneira, aquele em que o death metal prova que pode ser brutal e profundo, tecnico e emocionante ao mesmo tempo. E tambem um testemunho da evolucao constante de Chuck Schuldiner, artista nunca satisfeito, que partiu cedo demais. Um disco essencial, que segue inspirando muito alem do genero que ajudou a fundar.








