Com The Oncoming Storm, editado em 2004, a banda de Massachusetts Unearth impõe-se como uma das pontas de lança do metalcore norte-americano da sua geração. Este disco encarna uma visão musculada e técnica do género, onde a herança do death metal melódico sueco se casa com a potência frontal do hardcore. É um álbum de riffs, de velocidade e de raiva dominada, talhado para o palco e para o movimento dos corpos.

A arte do riff cortante

O que distingue de imediato os Unearth é a qualidade do seu trabalho de guitarras. Os riffs, incisivos e melódicos, encadeiam-se com uma inventividade constante, indo buscar tanto às harmonias suecas como aos truques do thrash. O duo de guitarristas rivaliza em precisão e criatividade, multiplicando os leads contagiantes e os breakdowns devastadores. Essa riqueza instrumental coloca a banda acima de muitos contemporâneos, que muitas vezes se contentam com uma fórmula mais preguiçosa e repetitiva.

Uma intensidade sem tréguas

Ao contrário de outras bandas do género, os Unearth privilegiam aqui uma agressão quase contínua, recusando em grande parte os refrões cantados em voz limpa. O canto mantém-se raivoso, gutural, ao serviço de uma energia crua que nunca esmorece. Essa radicalidade assumida dá ao disco uma coerência e uma potência notáveis, mas pode também torná-lo exigente para o ouvinte que procura respiros melódicos. É um metalcore sem concessões, que assume a sua violência sem procurar seduzir a todo o custo.

Uma produção que bate

A produção, densa e contundente, realça perfeitamente esta abordagem. Cada riff bate, cada breakdown desdobra a sua massa com uma clareza temível. A bateria, técnica e veloz, sustenta o conjunto com uma precisão impecável. O álbum mantém um nível de intensidade elevado do princípio ao fim, sem tempos mortos, o que atesta um verdadeiro domínio da dinâmica e uma conceção rigorosa do conjunto, pensado como um bloco compacto talhado para nunca aliviar a pressão. Essa densidade pode desconcertar ao início, de tanto que o disco exige ao ouvinte que acompanhe o ritmo sem esmorecer. Mas uma vez dentro da sua lógica, deixamo-nos levar por essa avalanche de riffs que nunca se interrompe verdadeiramente, como uma só e longa descarga. A fisicalidade do som, a maneira como empurra o corpo a mexer-se, acaba de convencer. É um disco concebido para o concerto, para o suor e a colisão dos corpos, e não perdeu nada dessa urgência.

The Oncoming Storm continua a ser uma pedra angular do metalcore de meados dos anos dois mil, um disco que influenciou toda uma geração de guitarristas e de grupos. Os Unearth demonstram aqui que é possível aliar tecnicidade e brutalidade sem sacrificar nem uma nem outra. É um álbum exigente, denso, que recompensa o ouvinte disposto a mergulhar no seu fluxo ininterrupto de riffs. Para os apreciadores de metalcore musculado e autêntico, continua a ser uma referência incontornável, um modelo de intensidade e rigor que não perdeu nada da sua força.