Alguns discos não procuram seduzir mas impor a sua lei. Master Killer, lançado em 1996 pelos nova iorquinos dos Merauder, pertence a essa categoria. Figura entre as pedras angulares do beatdown hardcore, esse subgénero que privilegia o peso e o movimento de massa acima da melodia. Desde os primeiros compassos a intenção é clara: fazer tremer o chão e esvaziar a sala de toda a pretensão, com uma frontalidade que não deixa lugar a dúvidas. Ao sair, condensa tudo o que a cena nova iorquina desenvolvia então de mais pesado e ameaçador, e fixa um padrão que muitas bandas tentarão depois igualar sem o conseguir sempre.

A ciência do breakdown

Os Merauder dominam a arte da rutura rítmica como poucos grupos da sua época. Cada faixa parece construída em torno de um momento de viragem, essa desaceleração repentina em que a guitarra desce um degrau e a bateria martela um tempo de chumbo. É aí que o disco revela a sua verdadeira natureza, menos na velocidade do que no peso. A voz, agressiva e entrecortada, abraça essas quebras e transforma cada refrão numa ordem lançada à multidão.

Uma influência metal assumida

O que distingue o álbum é a sua ancoragem metálica. Os riffs tomam por vezes do thrash, com tremolos cortantes e harmonias sombrias que dão ao hardcore uma cor mais ameaçadora. Esse encontro entre a cultura NYHC e uma sensibilidade metal explica em parte a longevidade do disco e o seu estatuto de referência para inúmeros grupos posteriores. Sente-se uma agressividade controlada, nunca gratuita, sempre ao serviço do impacto.

Um clássico de rua

Master Killer nada tem de subtil, e é precisamente essa a sua força. Assume a sua violência, a sua relativa repetição e o seu gosto pela demonstração de força. Alguns criticarão uma falta de variedade ao longo do disco, mas o conjunto sustenta-se graças a uma coerência de humor e a uma produção adequada, bruta sem ser desleixada, que deixa cada golpe acertar.

Quase trinta anos após o seu lançamento, este disco conserva uma aura particular na cena hardcore. Encarna um momento em que Nova York reinventava a sua própria agressividade, em que o movimento de massa se tornava uma forma de expressão por direito próprio. Para o apreciador de sons pesados e físicos, Master Killer continua a ser uma escuta jubilosa, uma lembrança de que o hardcore pode ser questão de puro peso sentido no peito. Um título de glória merecido para um grupo que marcou de forma duradoura o seu território. É preciso aceitar as suas opções, a sua brutalidade frontal e a sua recusa das nuances, para captar a sua coerência. Quem o faz descobre um disco talhado numa só peça, onde cada riff parece concebido para a sala e onde o peso se torna uma forma de escrita por direito próprio, quase arquitetónica.