Com Antithesis, lancado em 2008 pela Relapse, os norte-americanos do Origin empurram o brutal death metal tecnico a um extremo de velocidade e densidade que beira a abstracao. E um disco curto, violento, cirurgico, concebido como um assalto ininterrupto aos sentidos. Oriunda do Kansas, a banda atinge uma maturidade dentro do caos que faz deste um dos seus cumes. A banda assume uma radicalidade que nao oferece tregua. A producao preserva uma legibilidade surpreendente no coracao do caos.
A velocidade como linguagem
O Origin conhece apenas uma direcao: para a frente, o mais rapido possivel. O baterista John Longstreth desdobra aqui um estilo que marcou o genero, entre blasts hiper velozes e os chamados gravity blasts que parecem desafiar a mecanica humana. As guitarras de Paul Ryan encadeiam tremolos e varreduras num ritmo que transforma os riffs em pura textura. A cada faixa mede-se o nivel de execucao exigido dos musicos.
Em faixas como Antithesis ou Wrath of Vishnu, a banda atinge uma intensidade quase hipnotica: a brutalidade torna-se tao continua que acaba criando a sua propria forma de transe. O ouvinte ja nao segue as notas uma a uma, mas se deixa levar pelo fluxo, submerso na densidade do conjunto. O ouvinte e tanto posto a prova quanto levado pelo fluxo.
Caos dominado
A proeza do disco esta em que essa muralha de velocidade nunca desaba num amontoado. A producao nitida mantem cada elemento legivel, e os arranjos, por mais tortos que sejam, conservam uma coluna vertebral. O Origin toca a beira do precipicio sem nunca cair, e esse equilibrio separa a banda de meros fornecedores de ruido.
O vocal alterna growls cavernosos e gritos agudos, somando uma dimensao quase bestial a um conjunto ja sufocante. O baixo, tantas vezes soterrado neste tipo de producao, permanece aqui perceptivel e alimenta o grao geral. Os breaks, raros mas bem colocados, oferecem breves pontos de ancoragem na tempestade. Nao se faz concessao alguma ao conforto de escuta.
Uma referencia do extremo
Sem necessariamente inventar, Antithesis aperfeicoa. Em pouco mais de meia hora condensa o que ha de mais radical no brutal death metal tecnico, e serve de ponto de referencia para as bandas que buscam a velocidade absoluta sem abrir mao da exigencia compositiva. Poucos discos levam o limite tao longe.
Nao e um disco de ambiente nem de nuances: e uma declaracao de intencoes, uma demonstracao de potencia e precisao conduzida a todo vapor. Assume por completo o seu extremismo e so pretende agradar a quem estiver disposto a segui-lo.
Exaustivo de proposito, Antithesis nao servira para todos, e ai reside a sua forca. Para quem busca o extremo executado com oficio, permanece um dos cumes do final dos anos 2000. Um maremoto tecnico que nao perdeu nada da sua violencia. E um disco que se enfrenta mais do que se escuta, e cuja potencia bruta permanece muito tempo na memoria.








