Estreia homonima do Deicide, lancada em 1990, este disco impoe de saida a banda da Florida como uma das mais radicais e provocadoras do death metal. Curto, brutal e sem concessoes, nao deixa margem a duvida sobre as intencoes do grupo. Uma entrada arrasadora, que estala como um tapa e nao busca jamais poupar o ouvinte.

Uma brutalidade frontal

Tudo aqui vai ao essencial: musicas comprimidas, agressividade constante e uma energia que nunca decai. Gravado no estudio Morrisound com Scott Burns, o album tem um som ao mesmo tempo cru e contundente, tipico do death metal da Florida da epoca e desde entao uma referencia.

A bateria de Steve Asheim martela sem descanso enquanto as guitarras cospem riff atras de riff. Faixas como Sacrificial Suicide, Dead by Dawn e Lunatic of God’s Creation resumem essa abordagem direta e implacavel, sem jamais buscar diluir o impacto nem conceder momentos de tregua.

Glen Benton, figura sulfurosa

No vocal e no baixo, Glen Benton encarna a provocacao feita homem. Sua voz, gutural e dobrada por gritos agudos, cria uma textura caracteristica, quase demoniaca, que viraria uma das assinaturas do grupo e de todo um setor do genero.

Suas posicoes abertamente anticristas e sua imagem transgressora, cruz invertida marcada na testa inclusa, alimentaram a reputacao extrema da banda tanto quanto sua musica. O Deicide se coloca de saida como um dos nomes mais sulfurosos da cena, cultivando o escandalo com uma constancia rara e uma vontade de chocar jamais desmentida.

Uma dupla de guitarras venenosa

Os irmaos Eric e Brian Hoffman trazem um jogo de guitarras agressivo, feito de riffs cortantes e solos caoticos que reforcam o carater infernal do disco. A complementaridade deles da as musicas uma espessura temivel.

O conjunto soa compacto e furioso, sem tempo morto. Os dois guitarristas se respondem, se entrelacam e as vezes embaralham as referencias, o que da a musica uma densidade sufocante. Nada freia a corrida do disco, concebido como uma unica e longa detonacao que nunca afrouxa o abraco.

Esta estreia segue sendo um marco do death metal do inicio dos anos noventa. Talvez lhe falte a sofisticacao de alguns contemporaneos, mas sua violencia bruta e sua intransigencia fazem dela um classico do genero, um cartao de visita arrasador para uma banda que continuaria a escandalizar por anos.