Lançado em 2007, The Big Dirty é o quarto álbum de estúdio do Every Time I Die, e faz jus ao nome. A banda de Buffalo acentua aqui o lado encardido e rock and roll de sua música, chegando a namorar mais o hard rock do que o hardcore mais estrito. É um disco de festa e de suor, talhado para o palco e os bares enfumaçados.
Rock and roll e raiva
O contraste entre agressividade hardcore e groove rockeiro sempre foi a assinatura do grupo, mas aqui se torna especialmente flagrante. Os riffs às vezes ficam mais clássicos, quase bluesy, enquanto a seção rítmica impõe um balanço irresistível. Essa orientação mais acessível não tira nada da potência do conjunto, mas privilegia o prazer imediato em vez do caos calculado dos primórdios.
Keith Buckley, mestre de cerimônias
No centro do turbilhão, Keith Buckley banca o apresentador com uma verve intacta. Seus textos continuam a misturar humor rangente e introspecção, sustentados por uma voz que passa do grito ao canto dilacerado com uma naturalidade espantosa. Sua personalidade carismática dá ao disco uma coerência e um calor que compensam de sobra algumas passagens mais previsíveis.
Um disco de transição
Alguns viram aqui uma leve queda em relação aos picos anteriores, um momento em que a banda busca ampliar seu público sem consegui-lo por completo. Nem por isso The Big Dirty deixa de transbordar refrões eficazes e momentos prazerosos, impulsionados por uma energia contagiante. É um álbum menos radical, mas talvez mais generoso em sua vontade de agradar.
No balanço, este disco ocupa um lugar particular na discografia do Every Time I Die: nem o mais feroz nem o mais realizado, mas um dos mais divertidos. Ilustra a capacidade do grupo de brincar com suas influências sem se levar a sério, conservando aquele mordente que o distingue. Uma boa dose de rock encardido e festivo, para consumir com um copo na mão.







