Formados no Connecticut, os Anxious pertencem a essa vaga de jovens bandas que reinventam o hardcore melódico, tingindo-o de sensibilidade emo e pop. Little Green House, o seu álbum de estreia lançado em 2022, marca uma etapa importante no seu percurso e revela ambições bem mais amplas do que a simples agressividade. O disco cultiva um equilíbrio delicado entre energia hardcore, refrões cativantes e introspeção nostálgica, com uma frescura que denuncia a juventude dos seus autores tanto quanto constitui a sua força.

Entre o nervo e a doçura

A grande característica do álbum reside no seu gosto pela melodia. As guitarras alternam riffs incisivos e arpejos luminosos, enquanto a voz navega entre o dilacerado e o melódico com uma desenvoltura notável. Pensa-se por vezes nas grandes horas do emo melódico, mas também numa certa tradição do hardcore cantado, mais aberta e acessível. Essa hibridação dá temas de imediato sedutores, sustentados por refrões que se retêm desde a primeira escuta e que convidam ao coro coletivo. Os teclados e os coros, discretamente disseminados, acrescentam uma cor pop que alarga a paleta sem nunca a sobrecarregar. Essa atenção aos detalhes do arranjo denuncia uma ambição que transborda o simples quadro do hardcore e aproxima por vezes a banda da canção pop independente.

Uma juventude assumida

As letras refletem a idade e as preocupações da banda: a amizade, a passagem para a idade adulta, as incertezas e os laços da juventude. Essa sinceridade, por vezes quase cândida, constitui ao mesmo tempo o encanto e o limite do disco. Ali onde alguns verão uma autenticidade revigorante, outros poderão lamentar uma falta de distância ou de profundidade no discurso. Mas do conjunto emana uma energia contagiante e uma honestidade desarmante que conquistam a adesão muito para além das reservas que se pudessem formular.

Rumo a um público alargado

Little Green House ilustra na perfeição a crescente porosidade entre o hardcore e estéticas mais massivas. O disco nunca renega as suas raízes, mas assume plenamente a sua abertura melódica, mesmo à custa de se afastar da brutalidade esperada do género. Essa orientação valer-lhe-á sem dúvida algumas críticas entre os puristas, mas atesta sobretudo uma vontade de explorar e ultrapassar os compartimentos. A banda ganha com isso uma identidade própria, no cruzamento de vários mundos, sem nunca parecer oportunista nem calculista.

No fim, este álbum de estreia confirma o potencial de uma banda que soube encontrar muito cedo a sua voz. Sem estar isento de desajeitos, seduz pela sua espontaneidade, pela sua generosidade melódica e pela sua frescura emocional. Os Anxious não procuram impressionar pela violência, mas comover pela sinceridade, e essa abordagem acerta no alvo. Little Green House dirige-se tanto aos amantes do hardcore de mente aberta como a um público mais vasto em busca de emoção sincera, e lança as promissoras bases de uma carreira a seguir de perto.