The End of Heartache, editado em 2004, marca uma viragem decisiva na história dos Killswitch Engage e, de forma mais ampla, do metalcore norte-americano. É o primeiro álbum da banda de Massachusetts com o vocalista Howard Jones, cuja voz iria redefinir as possibilidades do género. Este disco cristaliza tudo o que viria a constituir a idade de ouro do metalcore melódico de meados dos anos dois mil, antes ainda dos seus excessos posteriores.
Uma voz que muda tudo
O contributo de Howard Jones é de imediato palpável. A sua capacidade de passar do grito mais raivoso ao canto limpo mais potente, sem nunca forçar, abre à banda um campo expressivo imenso. Os refrões ganham em amplitude, em emoção, sem perder nada da agressividade das estrofes. Essa alternância entre a fúria e a melodia, executada com uma desenvoltura espantosa, torna-se a marca de fábrica do disco e o modelo de toda uma geração de grupos, muitas vezes imitados, raramente igualados.
Riffs talhados em aço
No plano instrumental, o álbum é uma demonstração de eficácia. Os riffs, cortantes e melódicos ao mesmo tempo, vão buscar tanto ao death metal melódico sueco como ao hardcore norte-americano. A produção, densa e clara, realça cada elemento sem nunca sufocar a energia crua da banda. As composições são cerradas, diretas, pensadas para atingir depressa e certeiro. Cada tema parece talhado para o ao vivo, com breakdowns potentes e refrões concebidos para serem cantados em coro.
Um coração que bate forte
Para lá da sua temível eficácia, The End of Heartache impressiona pela sua coerência emocional. Os temas da perda, do luto e da luta interior atravessam o disco e dão-lhe uma gravidade que ultrapassa a simples proeza técnica. A canção que dá título ao álbum, em particular, cristaliza esse encontro entre potência e vulnerabilidade que constitui a grandeza do grupo. É um metalcore com coração, que fala tanto à cabeça como às entranhas, sem nunca sacrificar um ao outro, nem a finura à força. Essa carga afetiva, rara num género muitas vezes reduzido à sua brutalidade, explica em parte por que o disco tocou um público muito mais vasto do que apenas o círculo dos apreciadores de metal extremo. Há nestas canções um calor, uma necessidade de consolo, que ultrapassa a simples proeza e fala diretamente a quem atravessa uma provação. É talvez esse o verdadeiro segredo da sua longevidade.
Com o tempo, este álbum surge como um dos cumes do género, um disco que definiu um som e abriu caminho a inúmeros imitadores, raramente igualados. Os Killswitch Engage encontram aqui o equilíbrio perfeito entre a agressão e a melodia, entre o peso e a luz. The End of Heartache continua a ser uma pedra angular, um ponto de referência incontornável para compreender a evolução do metalcore. É o tipo de disco que não envelheceu um dia, cuja potência intacta cada audição confirma. Um clássico absoluto, simplesmente.





