Sétimo álbum, 74 minutos, sete faixas: os bascos do Altarage entregam com Cogwheel seu disco mais imponente, um death metal desconstruído que espia na direção de Swans, Sunn O))) e Godflesh para narrar « o sofrimento e a raiva na engrenagem da escravidão industrial ». E a imprensa se fratura em cheio. A Dead Rhetoric saca um 9/10: « o álbum mais calculado e colossal » da carreira deles. O Angry Metal Guy responde com um 2.5/5: « faixas longas demais, riffs repetitivos até a obsessão, elementos drone que irritam em vez de fazer música ».

O mais perturbador é que os dois lados descrevem o mesmo objeto. O próprio AMG fala de um som « como ser lentamente soterrado sob cimento líquido » e credita à banda uma « apresentação artística pensada de ponta a ponta » — ali onde outros só veriam defeitos. O No Clean Singing (Andy Synn, sem nota) decide a favor do disco: « um retorno à forma bem-vindo, ainda que deliberadamente exigente », em que a distorção « de derreter amplificadores » e o drone angustiante se tornam uma força tectônica.

O consenso, paradoxal, cabe portanto numa linha: Cogwheel consegue exatamente o que tenta — resta saber se queremos suportá-lo. Média das notas: 7/10, com o desvio-padrão mais violento do verão. Disco de resistência, reservado a quem encara a opressão como um programa.